Sinto muito. Talvez até desse certo, em um outro momento. Antes, talvez. Num outro momento, numa outra vida, numa realidade paralela. Não agora. Agora você chegou tarde demais. Uma hora errada, um dia errado.
Não me venha com esses sorrisos bobos, como quem encontra um presente em cima da cama no dia de Natal. Não fique tão feliz assim… Não é você que eu quero. Não me olhe assim, não me encare desse jeito.
Não cabe no espaço do meu viver. Não cabe você.
Sinto muito.
Adeus.
Marina caminhava sem rumo, olhando pontos desfocados de luz e sombra. Os olhos embaçados não se prendiam a nenhuma imagem, nenhuma cor, só luz e sombras alternavam em seu olhar. Sentou no banco de um lugar qualquer, não importava onde, andava perdida dentro de si mesma, que importava o mundo lá fora quando por dentro tudo era tormenta e furacão?
