Corrida

“Não vai dar tempo! Não vai dar tempo” pensava Clara correndo o máximo que podia. As pernas já estavam cansadas, pesadas, parecia que nunca tinham sido usadas, como se tivessem enferrujadas. A respiração queimava na garganta, nos pulmões, faltava saliva para umidecer a boca seca. Os olhos estavam chuvendo, só os olhos choviam.
“Não vai dar tempo”, pensou Clara mais uma vez. Estava escuro, mas fazia muito calor, seu corpo estava pegajoso, sujo. Tropeçou. “Droga!”, xingou baixinho. O dedão do pé esquerdo começou a latejar. Levantou e começou a andar, meio mancando, meio pulando. Não tinha tempo, correu de novo, ignorando as pontadas no pé.
Achou que estava chegando, começou a ver as luzes coloridas da entrada da cidade. Ouviu os rumores de conversa trazidos pelo vento. “Ou será que é o zumbido da velocidade?”, perguntou-se. Estava quase lá.
Acordou suando, com a garganta seca e o nariz entupido.

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