Posts Tagged ‘Ana’

A dança

Ana olhava para o céu. Estava absorta na dança colorida das estrelas. Queria poder ser bailarina também, para saltar entre os espaços escuros do céu iluminando os sonhos dos apaixonados, dos amantes da vida. Aqueles que são crianças para sempre, apaixonados para sempre, deslumbrados para sempre. Os que descobrem o mundo em cada olhar, em cada suspiro.a dança

Ana olhava para o céu e via o balé das estrelas coloridas.

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A morte da menina

Ana estava assistindo TV. Tinha uma menina na janela chorando e um rapaz com um revólver atrás dela. A polícia estava cercando o prédio, todo mundo armado, mas ninguém fazia nada. essa história tava passando fazia um tempo na TV, parecia filme americano, mas não era, era real, estava passando no jornal. No fim a menina morreu. E a amiga ficou ferida. Ana virou para a mãe e perguntou:

– Mãe, por que o namorado dela fez isso? Ele era malvado era?

– Não sei, meu anjo, não sei.

Ana foi para o quarto pensando que talvez fosse melhor nunca namorar nenhum menino.

Florzinha

Ana estava voltando da escola numa segunda-feira preguiçosa, quando se deparou com uma florzinha amarela entre duas lajotas de cimento da calçada. Era uma florzinha pequenininha, bem fraquinha, mas lá estava ela firme, brigando com o concreto para viver.

Aninha continuou andando, até porque estava na hora do almoço e ela estava com fome, mas continuou pensando na florzinha. Em casa, almoçou, tomou banho, fez a lição de português e uma pesquisa de história. Bem na horinha que ela tinha acabado a pesquisa, D. Marília chegou em casa.

– Aninha, vamos comigo na padaria?

– Vou sim, mãe.

No caminho elas passaram de novo pela florzinha. Aninha olhou e ela estava lá, ninguém tinha pisado nela. Compraram o pão. Na volta:

-Mãe, olha que florzinha bonita.

-É mesmo, Aninha. Veja como é a natureza, minha filha, nasceu uma flor no meio do cimento.

-Mãe, vamos levar ela lá pra casa? Aqui ela vai morrer, ninguém cuida dela.

A mãe sorriu. Como seria bom que existissem mais Aninhas nesse mundo.

Futilidades

Sexta-feira, Aninha chegou da escola já pensando no que fazer. Afinal, o fim de semana já tinha começado. Ainda bem que a professora não tinha mandado tarefa de casa. Dim-dom. A empregada abriu a porta da casa de seu Paulo (que é o pai de Aninha pra quem não conhece) e a menina entrou correndo.

 

– Boa tarde, Maria!

 

-Boa tarde, Aninha. Se pai mandou dizer que era pra você almoçar logo, que ele não vem, vai ter que ficar direto no trabalho que deu uma bronca por lá. A Marina telefonou e disse que tava chegando. Você vai comer logo ou vai esperar sua irmã?

 

– Vou esperar a Marina! – gritou Aninha do quarto.

 

Dez minutos depois o barulho da chave girando na porta. Marina chegou.

 

-Cheguei, gente.

 

-Oba, vamos comer que eu tô com fome.

 

-Vamos, fominha.

 

Depois do almoço…

 

– Aninha, cê tem tarefa hoje?

 

– Não, Nina, por quê?

 

– Vamos comigo no salão, vi uma promoção imperdível: CORTE, HIDRATAÇÃO E ESCOVA POR R$25!!!

 

– Obaaaaaa…

 

Nada como umas horinhas no salão, uma mudança no visual, para acabar com o stress da semana.

* Originalmente publicado no Paradoxalmente Ser

Provas

Ana finalmente tinha voltado às aulas. Na verdade já tinha voltado faz um tempinho, logo depois do Carnaval. E por sinal, agora ela já estava em semana de provas. Até que ela estudou direitinho no fim de semana. Incrível como essa menina gosta de estudar. Pentelhou um pouquinho o pai porque não tava entendendo um assunto de matemática direito. Coitado do pai, anos sem estudar aquilo e agora tendo que ensinar a filha. mas até que foi bom. Deu tudo certo no fim do dia.

 

Segunda-feira o pai deixou Ana na escola. Ana fez as provas. matemática no primeiro horário, ciências no segundo. Voltou pra casa com a mãe.

 

-Como foi a prova, Aninha? – perguntou a mãe.

 

-Foi boa.

 

-Só isso?

 

-É. Só isso.

 

-Por quê?

 

-Porque o quê, mãe?

 

-Por que foi boa?

 

-Não tive nenhuma dúvida, respondi as questões, essas coisas mãe.

 

-Hum…

 

Passados alguns segundos.

 

-E por que então essa tristeza, minha filha?

 

-Tô cansada, mãe. Duas provas no mesmo dia é dureza. E amanhã tem mais duas. Já tô cansada de estudar, quero férias de novo.

 

-Agora deu. Era só o que me faltava, uma menina com 10 anos reclamando que tá cansada de fazer prova e que quer ficar de férias de novo, depois de dois meses de aula. E é só ficar de férias de novo pra me aperriar o juízo querendo ir pra escola. Vai entender essa juventude?

 

*Originalmente publicado no Paradoxalmente Ser

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